A ideia é razoável, o Estado acorda com particulares a construção de auto-estradas pois não têm dinheiro para o fazer, e depois compromete-se a pagar uma determinada quantia a esses particulares cada vez que um automóvel utilizar a via, é uma portagem virtual, paga pela Estradas de Portugal, antiga JAE, cujo orçamento é financiado pelo Orçamento de Estado. Este benefício, oferecido pelo Eng. Cravinho, no tempo do Eng. Guterres aos utilizadores transformou-se numa dor de cabeça para o actual Governo, do mesmo partido, mas com ideias diferentes, mais não seja pela necessidade.
Inverteu-se o conceito, pretende-se agora que os utilizadores pagem directamente as portagens (não é de espantar esta inversão, já aconteceram muitas).
Parece justo o princípio do utilizador pagador, porque não se consegue justificar que um utilizador do interior esteja a pagar com os seus impostos as portagens do utilizador do litoral e vice-versa, quem utiliza paga. E era assim que deveria ter sido desde o início, pagava-se uma importância e agora não existia este problema.
Questão diferente é saber quanto se vai pagar, já se encontra publicado o competente diploma que indica um custo para o utilizador de aproximadamente 0,08 cêntimos por Km. Valor absurdo, muito superior ao de outras Auto-Estradas. Por esta razão justifica-se a indignação dos utilizadores. E como é habitual passa-se do oito para o oitenta.
Por outro lado, o modo como vão ser cobradas as portagens causou, como já seria de esperar uma guerra política. O Governo pretendia obrigar todos os automóveis a circularem com um identificador na matrícula, o tão badalado chip, mas será que tal medida não encerrava a perigosidade de o Estado saber sempre onde cada um dos nossos automóveis e consequentemente nós estavamos a cada momento, parece que sim. Tal situação seria absolutamente castradora do nosso direito de irmos e virmos para onde quer que seja sem termos que justificar. Claro está que esta obrigatoriedade não podia avançar, e acabou por ser consagrada como uma opção.
Depois, sugeriu-se a diseminação do identificador da Via Verde, primeiro sem custos e depois seria comprado pelo utilizador. Mas a verdade é que afinal custava 25 euros que eram revertidos em portagens.
Confusão generalizada, e perante estas dificuladades nada melhor que providenciar pelo adiamento da entrada em vigor das medidas. Solução habitual neste país quando aquilo que se pretende implementar é pensado e concebido em cima do joelho.
tenho algumas dúvidas que nos próximos tempos a cobrança de portagens seja uma realidade.
Mas será que nos podemos dar ao luxo de adiar consecutivamente as decisões e as medidas para solucionar os nossos problemas orçamentais. Esta situação é um exemplo de como este país é indeciso, resiliento, incapaz de enfrentar a realidade e procurar soluções importantes, ficamos sempre pelo meio termo que não nos leva a lado nenhum.
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